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Arte na floresta

Publicado: Quinta, 25 de Mai de 2023, 10h46 | Última atualização em Quinta, 25 de Mai de 2023, 11h01 | Acessos: 396

Construir pontes não se trata apenas de reduzir distâncias. Uma ponte liga margens, conecta ilhas, aproxima pessoas, gera movimento e pode ser indispensável em casos de emergência ambiental ...”

A Ponte Flutuante é peça fundamental na formação do coletivo Aqua Alta. De volta ao país em 2014, integrantes do grupo e alunos que viajaram para a construção do Pavilhão Paraguaio da Bienal de Arquitetura de Veneza, não imaginavam que encontrariam este cenário, sobre o qual não se poderia ficar de braços cruzados.

As cheias no rio Paraguai são recorrentes, mas em julho de 2014 e dezembro de 2015 registrou-se 7,38 m e 7,73 m respectivamente (sendo 9,00 m a altura máxima histórica e 5,50 m o nível crítico de inundações), mais de 4 metros acima do nível onde viviam um grande número de habitantes das cidades às margens do rio Paraguai. E a maior concentração dessas vítimas encontrava-se na cidade de Assunção e arredores.

Desta vez a instalação construída em Manaus resgata esse trabalho realizado em 2014 e 2015, e estes trabalho foram o mote para a instalação no MUSA. Se no passado recente a cidade flutuante em Manaus teve um papel cultural e econômico vital na vida urbana, aos poucos nos distanciamos dessa característica visceral das cidades amazônicas com o deslocamento da população para o interior da floresta.

Em 2021 o Rio Negro atingiu a cota 30,02m - a maior enchente registrada na história de Manaus. Esse fenômeno é recorrente e mais intenso em outros municípios do Amazonas e nos faz buscar soluções tecnológicas para minimizar os impactos nas cidades. Como nós podemos contribuir, como arquitetos, para que as cidades amazônicas não sejam vítimas da indústria das enchentes e possam ter arquiteturas que sejam tecnologicamente adequadas a sazonalidade das águas? A ponte construída com resíduos do Distrito Industrial de Manaus, como uma obra de Arte, é um Manifesto. Inicialmente essa peça funcionalista - como Arte, contrasta com a paisagem natural do lago bucólico e depois irá interagir com o igarapé poluído em plena Reserva Adolpho Ducke, na segunda etapa da instalação.

Continuamos a acreditar em pontes, mas também acreditamos que os problemas estruturais de uma sociedade e de um país se resolvem com propostas capazes de gerar "soluções" concretas e duradouras. Acreditamos que diante de necessidades tão básicas de infraestrutura, arquitetos e demais profissionais devem se comprometer, e se envolver de forma prática. Unindo forças e trabalhando com comunidades inteiras. Para provar que apesar dos recursos econômicos escassos, é possível realizar ações que parecem improváveis.

O NAMA (Núcleo Arquitetura Moderna na Amazônia) apresenta "Pontes Flutuantes” no MUSA e proporciona reflexões aos visitantes sobre a necessidade de ampliar as investigações sobre as arquiteturas flutuantes na Amazônia e também de reduzir os gastos públicos em situações emergenciais - recorrentes pela sazonalidade dos nossos rios. 

 

 

 

 

Arquitetos: Colectivo Aqua Alta

Ano: 2021

Fotografias: Matheus Paixão, Sandro Bispo
 
Autores: Colectivo Aqua Alta - Paraguay
 
Instalação: Marcos Cereto, Diogo Lazari e Marcelo Borborema (NAMA)
 
Apoio: Aqua Alta, NAMA e Goma Oficina
 
Execução: Diogo Lazari
 
Equipe De Montagem: Emanoel Rhayssan Brasil de Lima, Jailson de França Oliveira e Bruno Batista da Costa
 
Doação Dos Tonéis: Whirlpool
 
Cidade: Manaus
 
País: Brasil
 
Cita: "Pontes Flutuantes em Manaus / Colectivo Aqua Alta" 19 Ago 2021. ArchDaily Brasil. Acessado 25 Mai 2023. < https://www.archdaily.com.br/br/967074/pontes-flutuantes-em-manaus-colectivo-aqua-alta> ISSN 0719-8906 
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